Alcíone foi um espírito exemplar que viveu no tempo de Padre Damiano (Emmanuel no século XVII). No lar em que trabalhava, ao participar do culto cristão no lar, foi convidada a discorrer sobre a importância do lar na vida do ser humano. Eis suas lições…
“Tenho a convicção de que em toda parte, estamos na casa de nosso Pai e estou certa de que virá o dia em que tomaremos por templo de Deus o mundo inteiro. Mas, em nossa atual condição, não nos custa reconhecer o proveito das igrejas e o caráter sagrado do culto domético no que concerne aos ensinos de Jesus. Também no conforto de nossas casas há sempre ótima disposição para atender aos nossos familiares enfermos, mas isso não proscreve a necessidade dos hospitais. Os pais amorosos ensinam sempre os filhinhos, mas nem por isso deixam de ser úteis às escolas. Em matéria de fé, nossa estranheza radica na viciação dos deveres religiosos. Costumamos atribuir ao sacerdote o que nos compete realizar. Um padre poderá funcionar como excelente preceptor, indicando os caminhos retos, mas nós transitamos para Deus é imprescindível não parar. O ministro da fé atenderá ao conjunto, mas, para que as alegrias cristãs vibrem perfeitamente em nossa alma, não há que olvidar a necessidade de estabelecer o culto do Senhor, dentro de nós mesmos. Assim entrevisto, o lar é o templo mais nobre, porque oferece oportunidade diária de esforço e adoração. Cada criatura de nossa convivência, sob o mesmo teto representa um altar para o culto da bondade, do carinho, da compreensão. Cada borrasca doméstica é um ensejo para distribuição de esperança e fé. Cada dia afanoso enseja possibilidades de testemunhar confiança em Deus. Enquanto isso ocorre na intimidade, as instituições religiosas podem funcionar como hospitais dos espíritos combalidos, como celeiros de esfomeados, como fontes de informações sublimes aos ignorantes. Qualquer doente esperará a volta da saúde mas colimando reintegrar-se no plano de esforço diuturno; o faminto se alimentará de modo a prosseguir no seu caminho; e o ignorante será instruído para que se abilite a aplicar o que aprendeu. Por esse prisma, podemos aquilatar o valor das pequenas realizações domésticas. Acredito que o lar seja um ninho onde o espírito humano cria em si mesmo, com o auxílio do Pai Celestial, as asas da sabedoria e do amor com que há de conhecer, mais tarde, as sendas divinas do Universo.”
Livro Renúncia, Parte 2, cap. 3, Emmanuel – Chico Xavier





