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“As almas decaídas, contudo, quaisquer que sejam, não constituem uma raça espiritual sentenciada irremediavelmente ao satanismo, integrando, tão somente, a coletividade das criaturas humanas desencarnadas, em posição de absoluta insensatez. Misturam-se à multidão terrestre, exercem atuação singular sobre inúmeros lares e administrações e o interesse fundamental das mais poderosas inteligências, dentre elas, é a conservação do mundo ofuscado e distraído, à força da ignorância defendida e do egoísmo recalcado, adiando-Se o Reino de Deus, entre os homens, indefinidamente.”Este parágrafo expressa de forma suscinta e clara a influência desses nossos irmãos desventurados sobre nossas vidas. Ao longo da palestra um espírito benfeitor pergunta algo ao Ministro cuja resposta merece reflexão profunda:
“Grande benfeitor, reconhecemos a veracidade de vossas afirmativas; todavia, porque não suprime o Senhor Compassivo e Sábio tão pavoroso quadro?
O esclarecido mentor fixou um gesto de condescendência e respondeu:
— Não será o mesmo que interrogar pela tardança de nossa própria adesão ao Reino Divino? Sente-se o meu amigo suficientemente iluminado para negar o lado sombrio da própria individualidade? Libertou-se de todas as tentações que fluem dos escaninhos misteriosos da luta interna? Não admite que o orbe possua os seus círculos de luz e trevas, qual acontece a nós mesmos nos recessos do coração?”
Sim, esses a que me referi como “irmãos desventurado” somos nós mesmos. Nós que invejamos o vizinho, que reclamamos da vida como se conhecessemos nossas necessidades melhor que nosso Pai. Nós que dizemos uma palavra maliciosa ao nosso parente ou amigo da vida, nós que maldizemos e criamos discórdia entre nossos semelhantes para que um capricho nosso seja cumprido. Nós que vemos o irmão com frio e lhe negamos o agasalho mesmo sabendo que em breve estaremos no calor e aconchego do lar. É preciso a consciência de que somos criadores do nosso próprio inferno; queremos a reforma do mundo sem perceber que ela se inicia com a reforma de nós mesmos. Poderemos passar dificuldades nessa vida, mas tenhamos a certeza de que Deus não nos dá obstáculos que não possamos suportar; na Sua bondade infinita oferece os recursos necessários ao aprimoramento de nós mesmos. Deus acredita em nós, temos provas constantes disso! Tenhamos, portanto, fé em seus desígnios.
Rasguemos nosso orgulho, derrubemos as barreiras da vaidade, libertemo-nos dos excessos para fornecer o amor necessário aos semelhantes. Jesus foi ao calvário por nossos irmãos: e nós, onde vamos por eles?






