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Lutam os homens como feras, na ignorância, ataviados pelos vícios que os abastardam, perdidos nos enleios das paixões.
Digladiam-se os homens na corrida infrene pelos bens materiais, esquecidos da vida transitória, como se o mundo que os cerca valesse pela eternidade.
Odeiam-se os homens nas disputas das emoções e dos desejos, olvidados de que desejos e emoções os retêm nos planos inferiores como escravos acorrentados nas senzalas da dor.
Destroem-se os homens, impulsionados pela desmedida ambição do poder e da fortuna, esquecidos de que a autoridade e os privilégios impõem deveres e obrigações, responsabilidades e bom-senso que os tornam prisioneiros de si mesmos e do bem estar das coletividades e que, por isso, haverão de prestar contas do mandato como gestores da coisa alheia.
Lutam, digladiam-se e se destroem, como seres primitivos, a mente e o espírito obnubilados pela ambição, pela vaidade, pelo orgulho, pela luxúria, pela cupidez, pelo poder e retardam, nessa angustiosa corrida, a escalada aos planos elevados do espírito, como o aluno que, por não saber as lições, há de repetir o ano, por várias vezes e tantas quantas forem necessárias para chegar ao fim do aprendizado.
Desperta Irmão, Cap. 17, Joanna de Ângelis – Heitor Luz Filho






