Quando me reporto à importância das obras na esfera da fé, não me refiro ao vulto maior ou menor dessas obras, mas à boa vontade, à diligência e ao esforço que todo crente sincero deve empregar em prol do aperfeiçoamento próprio e da melhoria de suas condições e da de seus semelhantes.
O valor das obras não está nas suas grandes proporções, mas na pureza de intenção com que são executadas e no esforço empregado para sua consecução. A viúva pobre fez mais deitando no gazofilácio do templo uma moedinha de cobre do que os ricos que ali despejavam punhados de ouro. O óbulo da viúva representa um valor maior, porque é a expressão do sumo esforço; era tudo que ela possuía. Dando tudo, não podia dar mais. Segundo o critério da soberana justiça, o que tem valia não é o mais que se vê, que se exterioriza, mas é o mais que não se vê, que permanece oculto nos meandros inescrutáveis do coração.
A sinceridade com que agimos, os motivos menos egoístas que determinam o nosso proceder, tais são os elementos que estabelecem o valor maior ou menor dos nossos feitos. Há muita gente, cujas obras o mundo ignora, de alto merecimento aos olhos de Deus. Outros há, aos quais o século rende loas, cujo mérito pesa pouco, quase nada na balança da justiça indefectível do Senhor.
Nosso atos são como metais. Não é a quantidade, mas a qualidade que estabelece sua valia. Não é o volume, nem o peso, é o quilate que dá a excelência e a superioridade. Quanto mais puro é o ouro, mais pesa, porque maior é o seu valor. A gema sem liga, o diamante sem jaça, são preciosidades de subido preço, precisamente por não ter liga nem jaça, isto é, pela pureza intrínseca de suas constituições.
Livro Em Torno do Mestre – Vinícius.





