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Resistência aos Maus

Livro Diretrizes para o Êxito, Cap. 31, Joanna de Ângelis – Divaldo Franco.
Toda e qualquer mudança de comportamento exige denodo, esforço e continuidade de ação.
Alterar as paisagens morais do planeta, modificando-lhe a psicosfera ora viegente, é o programa que deve ser executado, mediante o investimento de sacrifícios contínuos.
Isto porque, o inimigo, nem sempre é o outro, aquele que pode ser apontado como responsável pelo fracasso de quem luta. Considerando-se que ele é as imperfeições internas, altera-se o conceito, e o esforço torna-se mais ingente. (aqui, quer-se dizer que o problema não é o outro, a pessoa em si, mas apenas suas imperfeições; daí, podemos amar a pessoa mesmo que suas imperfeições nos sejam obstáculo aos sentimentos dignos; e melhor ainda, não precisamos eliminar a pessoa ou combatê-la, precisamos apenas auxiliá-la a corrgir suas imperfeições por meio do amor e da compaixão, sem agredí-la ou reciminá-la).
Não resistais ao homem mau – propôs Jesus com misericórdia, conforme as anatoções de Mateus, no capítulo 5, versículo 39 , do seu Evangelho.
Essa diretriz não induz a uma atitude servil ou covarde ante o antagonista, aquele que se compraz em gerar dificuldades, afligindo os demais. Pelo contrário, constitui-se uma significativa decisão para não malbaratar os valores morais em lutas perniciosas, fratricidas, cruéis.
Resistir, seria enfrentar o mau, descendo-lhe ao nível de perturbação.
Sempre que alguém resiste, arma-se, revida, gerando uma situação mais penosa, da qual resultam maiores danos.
Na lição do Mestre, surge a mensagem de não-violência por primeira vez, como solução eficaz, não se revidando mal por mal.
O homem mau é infeliz, é alguém que perdeu o auto direcionamento e não sabe para onde seguir atirando-se ao abismo da loucura.
Resistir-lhe com os mesmos instrumentos será piorar-lhe o desatino, empurrando-o na direção de sucessivas desditas.
Havendo perdido a batalha da paz interna, ele já não possui critério de julgamento, objetivo de honradez, motivos para manter-se.
Não lhe resistir à agressão, representa permanecer acima dela, distanciando-se da sua peçonha, fora da sua onda mefítica.
O silêncio, a compreensão e a compaixão tornam-se recursos poderosos para anular a violência, sem extinguir o violento, para diluir o mal, sem aniquilar o homem mau.
Certamente, é mais fácil revidar, demonstrando força bruta, que não passa de intemperança e agressividade, que é somente irreflexão, aumentando o volume da onda tempestuosa dos crimes que é sempre crescente.
Resistir à tentação e à fraqueza de reagir da mesma forma, de conflitar e de disputar a primazia da violência, é poder não lhe responder à provocação com os mesmos nefastos recursos.
A violência é enfermidade virulenta que se expande com facilidade em razão da fácil assimilação dos seus fluidos deletérios por parte das vítimas potenciais, que se encontram com disposição para o contágio.
A não-violência é o medicamento eficaz, sutil e poderoso que a anula, diluindo-lhe os efeitos perversos.
Em razão disso, aqueles que conseguem não resitir ao homem mau, tornam-se bem aventurados.
Jesus não resistiu à traição de um discípulo, à negação de outro companheiro, à deserção dos amigos, à prisão infamante, ao julgamento arbitrário, ao flagício impiedoso e covarde, à cruz e à morte…
Porque assim agiu, não resistindo aos homens maus, conforme eles gostariam, ressuscitou do túmulo de sombras em triunfo incomparável, permanecendo o maior exemplo de coragem e de amor da Humanidade em todos os tempos.

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