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O Amor ao Criador

Livro ‘Na Sombra e na Luz’, Parte 5, Cap. 6, Victor Hugo – Psicografado por Zilda Gama.

… A Humanidade, disseminada em miríades de mansões, se compõe de membros que, no decorrer dos séculos, se tornam iguais em condições e sentimentos, solidários uns com os outros.
A fraternidade é o sublime e rutilante elo que encadeia indissoluvelmente todas as almas, consubstanciando todos os sentimentos afetivos em um só – o amor recíproco – acima do qual, só existe o sentimento-luz, o sentimento que torna fúlgidos os Espíritos – o amor ao Onipotente, que equilibra no vácuo e no éter os corpos ciclópicos dos astros, com a mesma facilidade com que uma criancinha atira para os ares um floco de neve que forja as estrelas e as nebulosas, cujo lume maravilhoso vence os milênios, inalterável sempre, imperecível, inextinguível!
Vendo-as como letras de ouro luminoso, gravadas em páginas de veludo azul, contemplando o manto sideral, as almas sentem a atração do infinito, desejam possuir asas para ir admirá-las de perto, prosternam-se extasiadas no solo a que ainda se acham presas, como se o fizessem diante de um altar, de um santuário ilimitado, admirando o poder e a onisciência do Incriado! Com a admiração dos portentos que o cosmos encerra, surge o amor ao Criador; os sentimentos se abrandam, acendram e apuram; a Humanidade passa a ser vista sob outro aspecto, deixa de ser considerada hostil ou indiferente e se torna uma só família estremecida; todas as pátrias se fundem numa única – a Terra; e a alma, cheia de amor, arroteada pelas tribulações e acrisolada pelas virtudes, se norteia para o Céu, ímã que a todas atrai.
É o amor, pois, o ascensor dos espíritos para o firmamento. Enquanto os ensombram os vícios, o ódio, a cisânia, o orgulho, a perfídia, a soberba, não admiram a Criação, detestam as coletividades, entrincheiram-se no egoísmo e no ceticismo, ficam adstritos às trevas, qual navio ancorado nas geleiras polares, onde quase não chegam os raios do Sol.
É quando a dor os tortura para aperfeiçoá-los, como o lapidário às gemas. Sem lhes dar tréguas, ela dissolve os nevoeiros que não os deixavam vislumbrar a claridade que cascateia do infinito, que embeleza a Natureza e os faz enveredar pela alcantilada senda do bem, da probidade, da retidão, tornando-os, por fim, alvos como os véus nupciais que cobrem as frontes das donzelas e aptos para desferir o grande vôo, espaço em fora.

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