Livro ‘Em Busca da Verdade’, Cap. 10, Joanna de Ângelis – Divaldo Franco.
Segundo opinião do eminente Jung: …dentro da alma, desde suas origens primordiais, tem havido um desejo de luz e uma ânsia incontida para debelar as sombras primordiais… a noite psíquica primordial… é hoje a mesma que a de incontáveis milhões de anos passados. O anseio pela luz é o anseio pela consciência.
A busca dessa consciência profunda transforma-se em meta que conduz à “plenitude psicológica”, quando o sofrimento não encontra lugar para instalar-se, ou quando ali presente, ser superado. Embora o sofrimento permaneça no mundo e nas criaturas como uma fatalidade do seu processo de evolução, mediante os equipamentos psicológicos na busca da luz, torna-se factível diluí-lo na claridade do amor inefável.
O sonho alquimista era a transmudação dos metais comuns em ouro de alto valor, que não foi conseguido. Nada obstante, psicologicamente, é possível essa alquimia no ser, ao transformar a sombra em luz e os conflitos com as suas marcas de perturbação no ouro da harmonia.
Para tal cometimento, os recursos a serem utilizados são internos e fazem parte da construção da consciência, pois que, somente por seu intermédio, é possível a conquista da sabedoria, ao discernir entre o que é necessário e inútil na existência, de real ou de aparente valor…
Enquanto isso, a luta interior em relação ao sofrimento prossegue contínua. Ainda, conforme o pensamento junguiano, o oriental planeja vencer o sofrimento expulsando-o como se fora uma coisa, enquanto o ocidental pensa que conseguirá libertar-se dele através dos medicamentos. Nenhum medicamento, porém, tem o poder de eliminar os sofrimentos que se derivam da consciência de culpa, dos fenômenos psicológicos da afetividade não correspondida, das ansiedades não concretizadas, do desejo do belo e da paz não conseguidos…
O dinheiro, por exemplo, pode oferecer uma farta alimentação, jamais provocar o apetite; pode conseguir o conforto, nunca, porém, a paz de quem habita o lugar agradável; a presença de pessoas, sem que lhe ofereçam um amor… a morte de um ser querido interrompe os sorrisos e o poder do mundo, não o pode trazer de volta, embora possa mover praticamente tudo e todos…
Tais ocorrências produzem sofrimentos, sem dúvida, que não podem ser expulsos a golpes de insistência mental nem socorridos com medicamentos de qualquer natureza. Têm de ser enfrentados pacientemente pela psique, através do estado autoconsciente do Self.
Equipamentos Psicológicos para o Ser, Parte 2
Este item foi postado em 15/12/2010 (Wednesday) 05:58 na(s) categoria(s) Mensagem. Você pode seguir os comentários deste post em RSS 2.0 feed.
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