Livro Diretrizes para o Êxito, Cap. 12, Joanna de Ângelis – Divaldo Franco.
Além da faculdade de escutar-se com os ouvidos, pode-se fazê-lo também com a mente, com a emoção, com interesse, com malícia, com descaso, com ressentimento, com alegria, com o coração…
A arte de ouvir é muito complexa.
Normalmente se ouvem as informações pensando-se em outras questões que predominam, desviando a atenção e impedindo que se fixem as impressões daquilo que se informa.
Algumas vezes, ouvem-se as narrativas que são apresentadas com estados de espírito crítico e perdem-se os melhores conteúdos, porque não estão de acordo com o pensamento e a conduta de quem escuta.
Em diversas oportunidades, ouvem-se as pessoas com indiferença, pensando-se nos próprios problemas e inquietações, distantes do sofrimento alheio, por considerar-se muito grande o próprio.
É comum ouvir-se por obrigação social ou circunstancial, estando-se noutro lugar e situação mental, embora fisicamente ao lado.
As criaturas humanas convivem umas com as outras, mantendo-se sempre estranhas, não conseguindo sair do próprio cárcere em que restringem os passos, embora preservando a aparência de livres.
Por consequência, a solidão e a depressão aumentam na razão direta em que se avolumam os grupos sociais, sempre ávidos de novidades e posses transitórias, quase coisas nenhumas.
A saturação que decorre do mesmismo, das atividades repetitivas, embora de alta gravidade, que terminam por se transformar em corriqueiras para quem as escuta, responde pelo aturdimento e desinteresse daqueles que se colocam na condição de ouvintes.
Especialmente as pessoas que escutam as narrações dos sofrimentos humanos, de tal forma se acostumam com os dramas e tragédias que, por mecanismo defensivo, distanciam-se dos fatos e oferecem palavras destituídas de emoção e de significado, que momentaneamente atendem aos aflitos, sem os confortar com segurança.
É compreensível essa atitude, porque também são indivíduos que sofrem pressões, angústias, ansiedades e organizam programas de felicidade que não se completam conforme gostariam.
Tornam-se, desse modo, ouvintes insensíveis.
Despertando para a circunstância aflitiva de que eles também necessitam de ser ouvidos e orientados, na solidão em que se encontram, nas necessidades a que estão expostos, são induzidos a fazer uma avaliação de conduta, mudando de atitude em relação àqueles que os buscam.
Passam então a ouvi-los com o coração.
Isto é, participam da narrativa do outro com o espírito solidário, saindo da própria solidão.
Ouvir com o Coração
Este item foi postado em 16/08/2010 (Monday) 06:07 na(s) categoria(s) Mensagem. Você pode seguir os comentários deste post em RSS 2.0 feed.
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© Prece de Luz 2012.
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