O Espírito da Verdade, Paris 1860.
Como em tempos passados, entre os extraviados filhos de Israel, venho trazer a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como a minha palavra em tempos passados deve lembrar aos incrédulos que acima deles reina a verdade imutável: o Deus bom, o Deus grandioso que faz a planta germinar e as ondas se levantarem. Revelei a doutrina espírita; como um ceifeiro, juntei em feixes o bem espalhado na humanidade e disse: “vinde a mim, todos vós que sofreis.”
Porém, os homens ingratos se afastaram do caminho largo e reto que conduz ao reino de meu Pai e se extraviaram nos ásperos e estreitos caminhos da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana; ele quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, isto é, mortos segundo a carne, porquanto a morte não existe, sejais socorridos e que, não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a vós daqueles que não estão mais na Terra seja ouvida para vos bradar: Orai e acreditai, pois a morte é a ressurreição e a vida é a prova escolhida durante a qual vossas virtude cultivadas devem crescer e se desenvolver como o cedro.
Homens fracos, que percebeis as trevas de vossas inteligências, não afasteis a tocha que a clemência divina coloca entre vossas mãos para aclarar vosso caminho e vos reconduzir, filhos perdidos, ao regaço de vosso Pai.
Sinto-me cheio de compaixão pelas vossas misérias, pela vossa imensa fraqueza para deixar de estender a mão segura aos infelizes extraviados que, vendo o céu, caem no abismo do erro. Acreditai, amai, meditai nas coisas que vos são reveladas; não misturei o joio com o bom grão, as utopias às verdades.
Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo; os erros que nele criaram raízes são de origem unicamente humana; e eis que do outro lado do túmulo, onde acreditáveis que nada existia, vozes vos gritam: “Irmãos, nada morre! Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade.”
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VI, item 5 – Allan Kardec.





