Livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.23, itens 16-18 – Allan Kardec.
Quando Jesus disse: “não penseis que vim trazer a paz, mas a divisão” seu pensamento era este:
“Não acrediteis que minha doutrina se estabeleça pacificamente. Ela trará lutas sangrentas, para as quais o meu nome será pretexto, porque os homens não terão desejado compreender-me. Os irmãos, separados por sua crença, lançarão a espada um contra o outro, e a divisão reinará entre os membros de uma mesma família, que não tiverem a mesma fé. Vim lançar o fogo sobre a terra, para limpá-la dos erros e dos preconceitos, assim como se põe fogo em um campo, para destruir as ervas daninhas, e tenho pressa para que ele se acenda, para que a depuração seja mais rápida, porque desse conflito a verdade sairá triunfante. A paz irá suceder à guerra; a fraternidade universal, ao ódio dos partidos; a luz da fé esclarecida, às trevas do fanatismo. Então, quando o campo estiver preparado, eu vos enviarei o Consolador, o Espírito de Verdade, que irá restabelecer todas as coisas, ou seja, fazer conhecer o verdadeiro sentido das minhas palavras, que os homens mais esclarecidos poderão compreender, e que dará fim à luta fratricida que separa os filhos de um mesmo Deus. Finalmente, cansados de um combate sem solução, que como consequência só traz a desolação, levando distúrbio até no seio das famílias, os homens reconhecerão onde estão os seus verdadeiros interesses para este mundo e para o outro. Verão de que lado estão os amigos e os inimigos da sua paz. Todos então virão abrigar-se sob a mesma bandeira: a da caridade, e as coisas serão restabelecidas sobre a Terra, de acordo com a verdade e os princípios que eu vos ensinei.”
O Espiritismo vem realizar, no tempo previsto, as promessas do Cristo; entretanto, não pode fazê-lo sem destruir os abusos. Como Jesus, ele se depara com o orgulho, o egoísmo, a ambição, a cupidez, o fanatismo cego, que, encurralados em suas últimas trincheiras, tentam barrar-lhe o caminho, provocando embaraços e perseguições; eis por que ele também tem que lutar. Mas o tempo das lutas e das perseguições sangrentas passou, as que ele terá que sofrer são todas de ordem moral, e o fim de todas elas se aproxima. As primeiras, as que o Cristianismo enfrentou, duraram séculos; estas durarão apenas alguns anos, porque a luz, em vez de partir de um só foco, brotará de todos os pontos da Terra, e abrirá mais cedo os olhos dos cegos.
Essas palavras de Jesus devem, portanto, ser entendidas como referentes à cólera que, ele previa, a sua doutrina iria provocar; aos conflitos momentâneos, que surgiriam como consequência; às lutas que ele teria que sustentar antes de se estabelecer, como aconteceu aos hebreus, antes da sua entrada na Terra Prometida; e não como um desejo premeditado, de sua parte, de semear a desordem e a confusão. O mal deveria vir dos homens e não de Jesus. Ele era como o médico que vem curar, mais cujos remédios provocam uma crise salutar, removendo os males do doente.
“Não vim trazer a paz, mas a divisão” – Parte 2
Este item foi postado em 06/10/2010 (Wednesday) 05:53 na(s) categoria(s) O Espiritismo. Você pode seguir os comentários deste post em RSS 2.0 feed.
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