Do Calvário ao Infinito, Livro VII, Cap. 3; Victor Hugo (Espírito) – Zilda Gama.
Quem ousa dizer que o Criador é o rei dos exércitos, profere uma grave blasfêmia:
Ele condena cabalmente o homicídio, singular ou coletivo, do Decálogo, de cuja procedência celeste não é lícito duvidar-se. O Onipotente deseja a concórdia e não as dissensões mortíferas; aspira a hastear em todos os orbes – como arcas santas após o dilúvio das iniquidades – o ramo de oliveira, no estandarte níveo da Paz, e não empunhar o archote rubro das pugnas assassinas; quer a solidariedade universal e não a seleção de raças, prejudiciais à unificação dos povos; quer irmanar todos os homens e não alimentar em seus corações mútuos sentimentos ultrizes.
As hostilidades bélicas infringem suas Leis de amor, equidade e perdão. A espada é, para Deus, um punhal fratricida que os códigos sociais tornaram legal e, portanto, sobre ela não pode incidir sua bênção luminosa. Quem quebrar o equilíbrio e a harmonia que devem existir entre as ações, nunca será para Ele um herói, mas um bárbaro, um corsário ou um precito!
Sobre ele recai todo o peso formidável das responsabilidades tremendas de uma luta mortífera. Poderá ser vencedor, cingido pelos lauréis corrosivos do mundo, – que lhe constringirão a fonte como as serpes à cabeça de Medusa – mas seu Espírito tornar-se-á denegrido, como que carbonizado; para tornar novamente da cor lirial, são precisos milênios de ríspidas provas, oceanos de lágrimas… O agressor arca com todas as consequências funestas de uma liça inumana. Só a defesa dirime o delito da guerra, é justificável e permitida pelo Direito Sideral, porque a criatura humana não possui, na Terra, maior tesouro que a própria vida, e deve conservá-lo intacto até que o Criador, que lho concedeu, o reclame, não para sonegá-lo, mas para ampliar no Além, a verdadeira pátria do Espírito, onde ela se intensificará, desdobrar-se-á como radiosa e imensa espiral, que começa nos planetas sombrios e termina nos páramos acogulados de sóis!
…
Há na guerra – dragão de Lerna, voraz e fero, que só se ceva com sangue, cujas cabeças decepadas renascem incessantemente há milênios – às vezes, uma utilidade ungente; unifica os povos e as nações, congrega filhos daquém e dalém mar, estanca estéreis dissensões políticas e religiosas, termina divergências partidárias de crenças e de castas, torna os indivíduos, nascidos sob céus diversos, irmãos nos campos de batalha renhidas, todos absorvidos pelo mesmo objetivo, pelo mesmo desejo, enobrecidos pela bravura, pelo estoicismo, expondo dignamente a vida em socorro da família, da pátria, dos seus dirigentes, ameaçados por cruéis adversários.
As Hostilidades Bélicas
Este item foi postado em 27/12/2010 (Monday) 06:33 na(s) categoria(s) Primitivismo Humano. Você pode seguir os comentários deste post em RSS 2.0 feed.
Posts Relacionados:
You can leave a response, or trackback from your own site.
Printed from: http://precedeluz.com.br/wordpress/2010/primitivismo-humano/as-hostilidades-belicas/ .
© Prece de Luz 2012.
© Prece de Luz 2012.





