Livro Plenitude, Cap. 5, Joanna de Ângelis – Divaldo Franco.
O serviço do bem, com a correspondente paixão de sustentá-lo, transforma-se em caridade que plenifica aquele que recebe o socorro e quem o propicia. Enseja a ação de dupla via: a satisfação que faculta àquele a quem é dirigida e a que retorna como resposta interior da consciência tranquila pela emoção experimentada.
A vida sempre responde de acordo com a maneira como é inquirida. A cada ação resulta uma equivalente reação, desencadeando sucessivos efeitos que se tornam consequências desta última, por sua vez geradora de novos resultados.
Para que seja interrompido o ciclo, quando pernicioso, a compaixão por si mesmo e pelo próximo induz o homem às ações construtivas, nas quais se instalam os mecanismos que desencadeiam resultados favoráveis ao progresso, assim interrompendo a onda propiciadora de sofrimento.
A paixão de Cristo por todas as criaturas é um estímulo constante a que se compadeçam os indivíduos uns pelos outros, sustentando-se nas dores e dificuldades, jamais piorando as suas necessidades ou afligindo-se mais por meio dos instintos agressivos, por acaso prevalescentes em sua natureza animal.
É de vital importância a compaixão no comportamento humano. Ela conduz à análise a respeito da fragilidade da existência corporal e de todos os engodos que a disfarçam.
Sendo a ilusão um fator responsável por incontáveis sofrimentos, a compaixão desnuda-a.
Porque se fantasia a existência terrena com quimera e sonhos, a realidade desfazendo essa imagem infantil leva ao sofrimento todos aqueles que, imaturos, confiaram em demasia na transitoriedade das formas e da apresentação física, das promessas de afeto imorredouro e de fidelidade perpétua, de alegria sem tristeza e meio-dia sem crespúsculo no fim da jornada.
Assim, a morte da ilusão fere aqueles que lhe confiaram a existência, entregando-se-lhe sem reserva, sem precaução.
A ilusão é, pois, anestésico para o Espírito.
Certamente, algo de fantasia emoldura a vida e dá-lhe estímulo. Entretanto, firmar-se nos alicerces frágeis da ilusão, buscando aí construir o futuro, é pretender trabalhar sobre areia movediça ou solo pantanoso coberto por água tranquila apenas na superfície.
Há quem postergue a realidade, evitando-a para não sofrer… E existem aqueles que pretendem apoiar-se no realismo rude, que não passa, muitas vezes, de outra forma errônea de ilusão.
A consciência da realidade resulta da observância dos acontecimentos diários, da transitoriedade do chamado mundo objetivo, e de uma análise tranquila e lúcida a respeito do que é verdadeiro em relação ao aparente, do essencial ao secundário, e sucessivamente.
A compaixão por si mesmo – amor a si próprio – faculta a visão realista, sem agressão, dos objetivos da existência terrena, impulsionando a compaixão pelo seu irmão – amor ao próximo – solidarizando-se com a sua luta e dando-lhe a mão amiga, a fim de sustentá-lo ou erguê-lo para que prossiga na marcha.
Essa atitude, ao invés de produzir uma postura pessimista, cética, amargurada, resultante da morte da ilusão, alenta e engrandece, dando sentido e significado a todos os acontecimentos.
Por isso, a compaixão se torna o fator que faz cessar os sofrimentos, como resultado natural dos outros passos, partindo da emoção para a ação.
Apresenta-se, então no painel do comportamento, a necessidade de agir com inteireza, com abnegação, transformando os propósitos mantidos em realização enobrecedora.
Caminhos para a Cessação do Sofrimento, Parte 9
Este item foi postado em 09/05/2011 (Monday) 08:08 na(s) categoria(s) Conduta Espírita e Cristã. Você pode seguir os comentários deste post em RSS 2.0 feed.
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