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Influência da postura familiar perante o desencarne

Livro Nas Fronteiras da Loucura, Cap. 10, Manoel Philomeno de Miranda – Divaldo Franco.
As lamentações e os impropérios, que a ausência de segurança religiosa, a par da angústia enlouquecedora e da revolta, promovendo cenas que poderiam ser evitadas, produzem, no Espírito recém-liberto, maior soma de desconforto, porquanto, atravessando momentos de alta sensibilidade psíquica, automática vinculação ao corpo sem vida e a família, as atitudes referidas transformam-se em chuva de fagulhas comburentes que os atingem, ferindo-os ou dando-lhes a sensação de ácidos que os corroem por dentro.
Nominalmente chamados, desejam atender, sem poder fazê-lo, experimentando as dores que os vergastam, adicionadas pelos desesperos morais que os dominam.
A misericórdia divina fá-los adormecer, naqueles primeiros períodos, em tentativas de pô-los a repousar, o que dificilmente conseguem, em face dos apelos exagerados dos familiares. E quando logram adormecer, não raro, porque não souberam dignificar os tesouros da vida com a consequente preparação para a viagem inadiável, estando com a mente em desalinho pelo choque da desencarnação, debatem-se em pesadelos afligentes, que são liberação de imagens perturbadoras das zonas profundas do inconsciente…
Para uma reencarnação completar-se, desde o primeiro instante quando da fecundação, transcorrem anos que se alargam pela primeira infância. É natural que a desencarnação necessite de tempo suficiente para que o Espírito se desimpregne dos fluidos mais grosseiros, nos quais esteve mergulhado…
A violência da forma como ocorre mata somente os despojos físicos, nunca significando libertação do ser espiritual.
Enfermidades de longo curso, suportadas com resignação, liberam da matéria, porque o Espírito tem tempo de pensar nas lídimas realidades da vida, desapegar-se das pessoas, paixões e coisas, pensar com mais propriedade no que o aguarda, depois do corpo, movimentando o pensamento em círculos superiores de aspirações.
Recorda os familiares que já partiram e a eles se revincula pelos fios delicados das lembranças, deles recebendo inspiração e ajuda para o desprendimento do organismo fisiológico (fala-se aqui apenas dos parentes em condição espiritual mais elevada).
As dores morais, bem aceitas facultam aspirações e anseios de paz noutras dimensões, diluindo as forças contritoras que o atam ao mundo das formas.
O conhecimento dos objetivos da reencarnação, o comportamento correto no exercício das funções físicas contribuem, também, para a desimantação quando do fenômeno da morte.
Com essas colocações, não se pretende transformar a vida num sofrer sem esperanças, num renunciar em limites, longe da alegria e do concurso da paz.
Ocorre que o tempo, no corpo, tem finalidade educativa, expurgadora de mazelas para o aprimoramento de ideais, ao invés de constituir uma viagem ao país do sonho, com o prazer e a inutilidade de mão dadas.
Como ninguém que se encontre na investidura carnal passará indene, sem depojar-se dela, muito justo se torna um treinamento correto para enfrentar o instante da morte que virá.
O Espírito é, no Além, o somatório das suas experiências vividas.

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