Livro Nas Fronteiras da Loucura, Cap. 16, Manoel Philomeno de Miranda – Divaldo Franco.
Bezerra de Menezes orienta Manoel Philomeno de Miranda quanto à prática mediúnica…
“De tempos em tempos, amiudadas vezes, surgem movimentos antimediunistas entre respeitáveis estudiosos e obreiros da Doutrina Espírita, que então sofrem inspiração negativa.
“As entidades perversas, que se vêem desmascaradas, desmanchadas suas tramas e conluios nefastos através da mediunidade digna, combatem, sistematicamente, essa porta de serviços, tentando cerrá-la, ora pela suspeita costumaz, ora pela desmoralização e vezes outras pela indiferença geral, desfrutando, então, esses inditosos, de área livre para o comércio infeliz que estabelecem e o prosseguimento das ardilosas quão inclementes perseguições que promovem.
“No Tabor, o Mestre, acompanhado dos discípulos amados, procedeu a memorável sessão mediúnica, quando se transfigurou e parlamentou com Moisés e Elias totalmente materializados, examinando questões de alta relevância ao esplendor do dia. Logo desceu do monte, prosseguiu no mesmo clima, quando atendeu ao obsessor que atormentava um jovem, que convulsionava sob sua truculência, babando e gemendo com crises epileptiformes, ficando desmaiado e com filetes de sangue nos lábios. O Senhor repreendeu-o com a Sua autoridade e o expulsou, liberando o paciente, cuja prova terminava sob as bênçãos do amor…
“Ali se realizara uma perfeita fluidoterapia com o obsesso, socorro ao obsessor e um intercâmbio superior com os líderes israelitas desencarnados, qual ocorre com os trabalhos espíritas práticos, sob os rígidos códigos da moral evangélica.
“Inspirados, portanto, por mentes perturbadoras, ociosas, vingativas de diversas gamas, surgem companheiros ciosos da preservação do patrimônio doutrinário investindo contra as reuniões mediúnicas.
“Alguns alegam excesso de animismo, outros exageros no mediunismo, mas outros afirmam que esse período está superado e não falta quem diga serem tais serviços prejudiciais ao equilíbrio mental e emocional de pessoas nervosas, de personalidades psicopatas.
“Não nos parecem que estejam com razão. É verdade que o animismo medra em larga escala cabendo, no entanto, ao estudioso da Doutrina, ao invés de coibí-lo, educar o sujet, fazendo-o liberar-se das impressões profundas que lhe afloram do inconsciente, nos momentos de transe qual oportuna catarse que o auxiliará a recobrar harmonia íntima. Outrossim, da mesma forma que muitos se afadigam em doutrinar os desencarnados, realizarão trabalho grandioso doutrinando os companheiros do plano físico, portadores de mediunidade em fase atormentada.
“Os chamados excessos mediúnicos não são da responsabilidade das sessões, senão da desinformação dos experimentadores, e pessoas que se aventuraram nas suas realizações desarmadas do conhecimento doutrinário e da vivência das suas execuções.
“Por outro lado, todo o monumento doutrinário do Espiritismo foi construído mediante as incomparáveis demonstrações e pesquisas mediúnicas a que Allan Kardec procedeu, oferecendo-nos uma Obra insuperável, que depois de um século ainda é muito desconhecida, mesmo dos que a estudam com carinho e afinco. Nunca estarão ultrapassadas as realidades mediúnicas de proveito incontestável, além do poder que exercem para fazer novos adeptos que então passam a interessar-se pelo estudo da Doutrina e seu aprofundamento.
“Por fim, a acusação de que afetam pessoas portadoras de desequilíbrios nas áreas mental e emocional, não tem qualquer fundamento. Primeiro, porque o bom senso, que deve orientar os que dirigem esse admirável mister, demonstra a impossibilidade de esse pacientes terem uma participação direta na reunião e depois, porque a orientação doutrinária ensina que a presença dos que se candidatam aos benefícios não é indispensável, já que para os Espíritos as distâncias terrenas têm outra dimensão, dispensando-se, desse modo, aquela participação física. Ainda aqui, é o despreparo de quem se arroga às condições de dirigente de sessões que responde pela incompetência. Não obstante reconheçamos a necessidade do conhecimento e preparação doutrinária, valorizamos muito as condições morais, que são fatores predominantes para os resultados das sessões. Conforme as coordenadas mentais que defluem da vivência moral dos seus membros – como ocorre em qualquer atividade – estarão presentes Entidades equivalentes, oferecendo o que se merece e não o que se deseja. Indispensável, portanto, que o conhecimento, a cultura doutrinária tenham como suporte o esforço moral do aprendiz, a fim de situar-se em clima de paz e privar de convivências superiores.”
Novamente calou-se, ensejando-me reflexões. Logo ampliou a argumentação:
- “Declaro-vos – afirmou Jesus, conforme anotou Lucas no capítulo dezenove, do versículo quarenta – que se estes que se calarem, as pedras falaram”, que podemos interpretar em linguagem espiritista como, ao se calarem os discípulos do Evangelho, por medo ante as conveniências mundanas, pelos preconceitos ou pelos preconceitos ou vitimados pelos interesses mesquinhos, como tem acontecido, as pedras que guardam os mortos rompem-se, falam, já que os desencarnados, não mais submetidos às conjunturas terrenas, proclamam a verdade sem peias nem conciliações com o erro.
“Respeitamos todas as criaturas nos degraus em que estagiam, no seu processo de evolução espiritual. Entretanto, valorizamos os trabalhadores anônimos da mediunidade, os que formam os círculos espirituais de assistência aos desencarnados e de intercâmbio conosco pelo sacrifício, abnegação e fidelidade com que se dedicam ao fanal da consolação e da caridade que flui e reflui nas sessões mediúnicas de todas as expressões sérias: de curas ou fluidoterapia, de desobsessão, de desenvolvimento ou de educação da mediunidade, de materialização com objetivos sérios e superiores, favorecendo o exercício das várias faculdades mediúnicas para a edificação e vivência do bem.
“Esses trabalhadores incompreendidos, muitas vezes afadigados, estão cooperando eficazmente, no esquecimento a que muitos os relegam, com os Benfeitores da Humanidade, na construção do Mundo Novo de amanhã pelo qual todos anelamos.”
Mediunidade sim!
Este item foi postado em 17/10/2011 (Monday) 06:14 na(s) categoria(s) Mediunidade. Você pode seguir os comentários deste post em RSS 2.0 feed.
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