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Quando Compreenderem…

Do Calvário ao Infinito, Livro VII, Cap. 3, Victor Hugo – Zilda Gama.
Duas borboletas, por serem uma jaude e outra rubra, deixam de ser gracioso inseto? Duas rosas, por serem de rubim uma e outra áurea, deixam de ter pétalas, fragrâncias? De ser a soberana das flores? Não. Pois assim, o homem. A raça a que pertence pode apresentar características distintas, epidermes diversamente coloridas, um nascer na Sibéria, outro no Congo, mas há um liame a prendê-los mutuamente – a alma, a sintila divina, como asa e aroma que identificam as falenas e as rosas. Hoje estão os homens selecionados pelas convenções sociais, pela distância geográfica; mais tarde serão eternos consócios, irmãos estremecidos, tendo o mesmo destino grandioso, o mesmo Jardim Celeste – o Universo!
Quando compreenderem essa verdade sublime, deixarão de pugnar pela aquisição de terras, do lodo onde se corrompem os seus despojos materiais – estes lastros putrescíveis que a alma, liberta dos flagícios planetários, alija ao fundo dos sepúlcros para se librar aos páramos estrelados…
Que vale à estulta vaidade de um monarca possuir infindos latifúndios, se a morte apenas lhe concede transitoriamente, sete palmos de terra para a decomposição dos tecidos ?
Um conquistador pode usurpar territórios vastíssimos, encarcerar corpos carnais, fraturar ossos, trucidar, decretar leis despóticas, abarrotar de ouro saqueado às vítimas os seus erários fabulosos, mas não pode confiscar sentimentos nobres, rapinar consciências, imperar nos Espíritos livres e dignos – os aeróstatos apenas cativos por algum tempo, mas que tendem a alçar-se, não na atmosfera, mas no éter, ao próprio Infinito.
Que vem a ser um país que os cobiçosos tanto desejam governar? Um retalho da Terra, um agregado de habitantes instáveis, aumentando suas raias, deixará de ser a fração de um mundo, pequeno e cheio de trevas relativamente aos outros que povoam o Espaço? Não. Haverá alguém que possa conquistar um continente ou todo o orbe para nele dominar? Jamais! Insano quem conceber esse planos hiperbólicos.

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